
Parents are spending less on tech this year, a recent survey found.
miodrag ignjatovic via Getty
Diante da inflação persistente e do pessimismo econômico nos Estados Unidos, os pais norte-americanos decidiram cortar o orçamento de eletrônicos nesta temporada de volta às aulas e recorrer massivamente a ferramentas de inteligência artificial para garimpar ofertas, segundo a 19ª pesquisa anual de Volta às Aulas da Deloitte divulgada recentemente.
Pelo quarto ano consecutivo, o gasto médio por criança cairá — fixando-se em US$ 557 —, à medida que a inflação segue em alta no país. Cerca de 57% dos entrevistados acreditam que a economia vai piorar no segundo semestre, marcando o maior nível de pessimismo financeiro desde o início da pandemia de COVID-19, em 2020.
A retração nos orçamentos é sentida principalmente no setor de tecnologia, cujo investimento médio caiu para US$ 417 por aluno — um recuo de 16% em relação aos US$ 498 do ano passado. Em contrapartida, os gastos com vestuário subiram 22%, atingindo US$ 323 por estudante, impulsionados pela contínua alta no preço das roupas.
Para obter esses dados, a Deloitte consultou um painel independente de pesquisa que entrevistou 1.207 pais de crianças e adolescentes matriculados do ensino fundamental ao médio. O estudo foi realizado entre os dias 22 e 29 de maio, apresentando margem de erro de três pontos percentuais.
Preços altos e crise de componentes adiam atualizações
A disparada nos preços de dispositivos eletrônicos foi intensificada pelo avanço da inteligência artificial, que gerou o chamado “RAMageddon” — uma escassez global de chips de memória. Com isso, computadores portáteis, celulares e consoles de videogame ficaram centenas de dólares mais caros, sem previsões de queda no curto prazo.
Como resultado direto, as famílias estão adiando a compra de novos eletrônicos para o ano letivo. A projeção aponta um corte de US$ 81 nos gastos da categoria, que engloba computadores, periféricos, dispositivos inteligentes e assinaturas de serviços digitais.
O comportamento marca o fim da corrida por atualizações frequentes. Uma pesquisa da CNET Group TechPulse revelou que 73% dos consumidores preferem manter seus aparelhos atuais até que parem de funcionar totalmente, enquanto 76% afirmam que só farão um upgrade quando a novidade realmente valer a pena.
Inteligência Artificial vira aliada na busca por pechinchas
Com o orçamento apertado, os consumidores utilizam a internet de forma cada vez mais estratégica para fazer o dinheiro render. O levantamento indica que 80% dos pais usam ao menos uma tática online para pesquisar preços, e o volume total gasto varia de acordo com o nível de engajamento digital.
Os pais que combinam mecanismos de busca, redes sociais e ferramentas de IA generativa (como ChatGPT, Gemini e Claude) planejam desembolsar US$ 737 por filho. Esse montante supera em US$ 206 a quantia gasta por aqueles que utilizam pesquisas tradicionais e redes sociais, mas não recorrem a ferramentas de IA.

O estudo destaca que quanto mais conectado digitalmente for o comprador, maior é o seu potencial de gasto final, um ponto que deve servir de alerta para os varejistas do setor.
Promoções do varejo e o perfil “hipervalorizador”
As ferramentas online têm ajudado as famílias a monitorar grandes eventos de descontos organizados por varejistas como Amazon, Walmart e Target. Cerca de 68% dos pais pretendem fazer compras durante essas liquidações, e 54% contam que costumam fazer aquisições por impulso ao se deparar com promoções vantajosas.
A Deloitte identificou que 31% dos entrevistados se encaixam no perfil de “buscadores de hipervalor”. São consumidores que aplicam quatro ou mais estratégias combinadas: trocam de marca, escolhem produtos de marca própria, frequentam lojas de desconto, compram no atacado ou utilizam plataformas de cashback. Curiosamente, esse grupo acaba gastando 14% a mais no total por esticar o orçamento para cobrir mais itens da lista escolar.
Essa forte influência da inteligência artificial nas compras é respaldada por dados de mercado. Um relatório da Adobe Analytics apontou que consumidores direcionados a e-commerces por plataformas de IA gastam 53% a mais por visita, permanecem mais tempo navegando nos sites e registram maior conversão em compras.
Entre os principais usos da IA relatados pelos pais estão a comparação de preços (22%), a pesquisa detalhada de produtos (19%), a descoberta de novidades (15%), o controle do orçamento (15%), a leitura de avaliações (14%) e a efetivação das compras (10%). Em resposta a essa tendência, 67% dos executivos do varejo planejam implementar experiências personalizadas e campanhas orientadas por IA dentro do próximo ano.






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