A Apple planeja lançar em 28 de julho, nos Estados Unidos, o “Apple Upgrade”, um programa de leasing em parceria com a Klarna para permitir o aluguel de iPhones, iPads, Macs e Apple Watches, visando sustentar as vendas após recentes aumentos de preços em seus dispositivos, segundo relatório da Bloomberg.
O surgimento do programa ocorre menos de um mês após a gigante de tecnologia elevar os preços de grande parte de sua linha de hardware, justificando a decisão pela escassez global de chips de memória e armazenamento. Com o reajuste, o MacBook Air saltou de US$ 1.099 para US$ 1.299, enquanto o iPad Air passou de US$ 599 para US$ 749.
Estratégia comercial para manter faturamento recorde
A medida não decorre de um desempenho financeiro fraco. Em sua última divulgação de resultados, a empresa classificou o período como o “melhor trimestre de março de sua história”, registrando US$ 111,2 bilhões em receita nos três meses encerrados em 28 de março — uma alta de 17% em comparação ao ano anterior. Além disso, a companhia obteve quase US$ 29,6 bilhões em lucro líquido no mesmo intervalo, conforme apontam os demonstrativos financeiros da Apple.
Dessa forma, o Apple Upgrade surge não como um socorro financeiro, mas como uma manobra para proteger o volume de vendas sem recuar nos aumentos praticados. Embora um MacBook Air continue custando US$ 1.299, o fracionamento do valor em parcelas ao longo de três anos reduz o impacto financeiro imediato para o consumidor.
O impacto do cenário econômico no consumo de tecnologia
Trata-se de uma tática alinhada ao momento econômico norte-americano, em que mais consumidores recorrem ao crédito para realizar compras. Em junho, os pedidos de novo crédito atingiram a maior taxa em quase cinco anos, de acordo com dados do Federal Reserve Bank de Nova York. Adicionalmente, uma pesquisa separada do Federal Reserve revelou que 37% dos adultos precisariam pegar dinheiro emprestado ou vender algum bem para cobrir uma despesa emergencial de US$ 400.
Esse contexto favorece a modalidade conhecida como “compre agora, pague depois” (buy now, pay later), na qual a decisão de compra se baseia na capacidade de arcar com a primeira parcela, e não com o custo total do produto.
Como funcionará o modelo de leasing do Apple Upgrade
Diferente das opções tradicionais de financiamento oferecidas pela empresa, o Apple Upgrade operará de forma semelhante ao leasing de veículos. Ao final do contrato, o cliente poderá fazer a troca antecipada do produto, devolver o aparelho ou pagar o saldo restante para mantê-lo definitivamente, sendo que algumas dessas escolhas podem envolver taxas adicionais.
Os prazos estipulados para o aluguel são de 24 meses para iPhones e Apple Watches, e de 36 meses para Macs e iPads. A adesão exigirá uma verificação de crédito simplificada (soft credit check), e o programa estará disponível tanto no site oficial quanto nas lojas físicas da marca.
Mensalidade menor não significa produto mais barato
Embora a Apple pretenda focar a divulgação nas parcelas mensais reduzidas, o valor total do dispositivo permanece inalterado. Os clientes que optarem pela devolução ao término do contrato estarão pagando pelo uso temporário do bem, enquanto aqueles que decidirem ficar com o aparelho precisarão quitar o valor residual.
Há também uma alteração estrutural importante: a garantia estendida AppleCare não estará inclusa nas mensalidades do Apple Upgrade.
Atualmente, o iPhone Upgrade Program dilui o custo combinado do iPhone e do AppleCare Plus com cobertura contra roubo e perda em 24 parcelas sem juros, permitindo a troca de aparelho após a quitação de 12 parcelas. Contudo, a Apple planeja encerrar novas adesões a esse programa e ao seu financiamento padrão assim que o Apple Upgrade for lançado. Quem desejar a proteção do AppleCare precisará contratá-la separadamente, o que aumentará o custo mensal efetivo.
Além disso, nem todos os aparelhos do catálogo farão parte da modalidade. Dispositivos como o iPhone 16, Apple Watch SE, iPad de entrada e MacBook Neo estão fora do programa, assim como compras realizadas por empresas ou instituições de ensino. Portanto, as parcelas reduzidas servirão principalmente para impulsionar a venda dos hardwares de maior valor do portfólio.
A Apple ainda não formalizou o anúncio do programa. Veículos de imprensa, incluindo o CNET, entraram em contato com a Apple e com a Klarna para obter posicionamentos oficiais.

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