As remessas globais de smartphones despencaram 11% no último trimestre, atingindo o menor patamar registrado desde 2013 devido à escassez mundial de chips de memória. Segundo dados da consultoria Counterpoint Research, o encarecimento dos componentes corroeu as margens de lucro dos fabricantes e reduziu drasticamente a busca dos consumidores por novos aparelhos.
O impacto da inteligência artificial na cadeia de suprimentos
A desaceleração do setor é consequência direta de um gargalo na cadeia global de suprimentos. Com os fabricantes de chips redirecionando a capacidade de produção para atender à alta demanda do mercado de inteligência artificial, as marcas de celulares enfrentam custos operacionais elevados e repassam os reajustes ao consumidor final.

Manufacturers such as Oppo are most likely to be affected by high memory prices.
Andrew Lanxon/CNET
Marcas intermediárias sofrem quedas de dois dígitos
A crise atingiu com mais força as fabricantes focadas em modelos de entrada e intermediários, como Xiaomi, Vivo e Oppo, que possuem menor margem para absorver a variação nos preços das memórias RAM. Diante da alta de preços, os consumidores optaram por adiar a troca de dispositivo ou adquirir modelos de gerações anteriores, resultando em retrações anuais de dois dígitos nas entregas dessas empresas.
Apple e Samsung crescem na contramão do mercado
Em contraste com a queda geral, Apple e Samsung registraram desempenho positivo. A Apple alcançou uma fatia recorde de 20% do mercado impulsionada pelo crescimento de 3% nas remessas de iPhones premium. A Samsung recuperou a liderança global com 24% de participação após registrar alta de 4% em suas entregas.
A resiliência dos modelos topo de linha é sustentada em parte pelos planos de fidelização e contratos com operadoras de telefonia, que diluem o valor inicial pago pelos compradores.
Projeções indicam crise de memória até 2027
A Counterpoint projeta uma retração acumulada de 14% nas vendas globais de smartphones até o fim do ano e prevê que o desabastecimento de memórias se estenda até 2027. Para lidar com a escassez, fabricantes de baixo custo devem descontinuar modelos de margem reduzida e focar na oferta de celulares seminovos e de gerações passadas.
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“RAMageddon” atinge PCs e eletrônicos de consumo
A crise dos componentes atinge diversos segmentos da eletrônica de consumo, incluindo notebooks e consoles de videogame. De acordo com a consultoria IDC, as remessas mundiais de computadores caíram 4,9% no terceiro trimestre, somando 68,2 milhões de unidades.
Embora parte da indústria tenha absorvido os custos no início do ano, grandes empresas começaram a repassar os reajustes. A Apple anunciou aumentos nos preços de sua linha de computadores, elevando o custo final de determinados modelos de MacBook em até US$ 200.

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